quinta-feira, 25 de abril de 2013


Nascemos sem nossos pés no chão. Nada que nos circunda remete ao verdadeiro âmago humano. As telas de LED, os chips, maquinas de café, elevadores, cada mínimo detalhe ao seu redor, nada pode evitar com que você mergulhe no abismo que você mesmo criou. Mas não hoje. É só mais um dia normal, você acordou e fez suas obrigações, deu atenção a cada tópico da sua rotina frustrada. O professor intolerável, o dentista mercenário, o patrão insuportável, você foi se esquivando por um estreito caminho até chegar aqui.
Esse é o seu mundo.
A busca pela casa perfeita, pelo carro do ano, pela esposa bonita e pela família perfeita, pelas férias que passam num piscar de olhos. Os casacos de pele, as lentes polarizadas, brincos de diamantes, cada centavo que você deixou cair no meio do caminho. Você começa a se perguntar se valeu a pena, cada gota de suor, cada lágrima escorrida, cada gota de sangue derramada. É inevitável o mergulho no seu próprio abismo, afinal de contas nos enganamos diariamente para satisfazermos nosso egoísmo. Não somos racionais, somos animais domesticados, daqueles que não conseguem sobreviver na selva por conta própria. E assim levamos nossos corpos, em direção ao nosso próprio abismo de incertezas. A queda é opcional, nós escolhemos detonar a bomba que está bem na nossa frente, existe uma vontade incontrolável de explodir essa merda toda. Mas não hoje.

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